Classe "A" do longboard
A prática do longboard alcançou níveis incríveis. A gatinha,
o feião, o jovem, o velho. Todo mundo aderiu ao esporte que cresceu
assustadoramente, perdendo apenas para o ato de caminhar ou correr. Fora isso,
o longboard surpreende, tanto que causa regras e horários para sua pratica em
vários locais.
Mas na verdade, um olhar mais próximo revela que nem todo
mundo está andando de longboard. Anda quem pode, não quem quer. Com um preço
salgado e a falta de grandes marcas brasileiras que unam preço e qualidade em
todo o setup, fica difícil adquirir um Long da hora e todos terminam desejando
um equipamento importado carregado de altas taxas e impostos.
Estamos vendo uma demonstração de força das classes mais
abastadas que dominam o longboard pelo asfalto. Assim como o sol, o skate é
para todos, mas se mostra não muito democrático, e até darwinista nos preços.
Baseando-se no salário mínimo brasileiro, R$ 724,00, o preço
de um longboard importado em média sai por R$ 650,00, tentar comprar um long é
uma meta difícil para quem não ganha mais que o mínimo, haja crediário! Isso se
reflete nas ruas e ladeiras. E isso é só o skate. Se formos falar de proteção,
como macacão para downhill, os preços começam em R$ 650,00 para os nacionais.
Temos mais capacete, luvas, joelheiras, etc.
Esporte de rico? Sim, parece que está se tornando isso sim.
Um esporte que possibilita usar cada cantinho das cidades, mas que se torna
mais um sonho exposto na vitrine bem iluminada.
A solução pode ser voltar aos anos 80, quando não haver
material disponível era um fato e entrava em cena algumas das grandes facetas
do povo brasileiro; a adaptação e a inventividade. Aqui todos tiveram skates
ruins como mal se pode imaginar hoje em dia, mas que davam um prazer imenso ao
serem feitos e aperfeiçoados.
Eram compensados e patins. Eram solados de chinelos
havaianas para gastar menos os compensados no tail e usar como freios (!!!).
Esqueçam pads para as bundas; as quedas eram atenuadas com almofadas. Enfim,
era romântica que não volta mais… ou volta?
Não adianta ser ingênuo e pensar que um boicote funcionaria.
Nada mais longe da verdade. Mas talvez haja skaters com habilidade e boa
vontade para ensinar um garoto como fazer seus primeiros skates com o que há
disponível. Há sempre a esperança de que o skate prevalecerá e evoluirá apesar
dessas dificuldades.
Lembrem-se, um grande skater não se faz apenas com um bom
setup, é preciso mais, mais vontade, alma e coração para se garantir o maior
sorriso. Portanto não ligue nem se sinta diminuído se olhar para o lado e ver uma
nave na mão do seu amigo. O skate está no pé, na alma, no coração e não somente
no bolso.
Uma opção que muita gente tem procurado são materiais usados
e com o tempo vão comprando peças novas para irem melhorando os seu longs, o
importante é esta treinando e praticando.






